Geriatria
Prepare-se para enfrentar a velhice
do seu gato.
Os anos passam muito mais rápido para os gatos. Levando-se em conta que a vida média desses animais é de 12 anos, podemos dizer que aos 7 ou 8 anos eles começam a envelhecer. Existem animais que podem viver muito mais do que a média. Alguns gatos chegam aos 18 ou 20 anos. Nesses casos, existem 2 fatores envolvidos que justificam essa longevidade: predisposição do organismo e os cuidados que ele receberá quando começar a envelhecer. |
O dono deve ficar atento e conhecer as doenças que podem acometer seu animal a partir de 7 ou 8 anos de idade. Com isso, ele poderá preveni-las ou diagnosticá-las a tempo do animal receber o tratamento adequado. Isso prolongará a vida de muitos gatos, certamente.
1. Calcificações nas
vértebras da coluna ("bico de papagaio") ou hérnia de disco:
É muito comum
em gatos idosos e obesos. O animal pode começar a mancar e tem dificuldade de
pular ou subir em locais mais altos, como um sofá. Quando palpado na região
da coluna, ele sente dor. O quadro pode progredir, e o animal passa a ter incoordenação
nos membros (cruza as pernas traseiras ao andar), não consegue mais se levantar,
urina e defeca em qualquer lugar (incontinência).
Como tratar: está ocorrendo compressão dos nervos e inflamação na região da coluna afetada pela hérnia ou calcificação. O gato deve repousar e ser medicado pelo veterinário com antiinflamatórios e analgésicos. O gato que apresentar sinais graves, como paralisia, deve ser submetido a exames de raio-X e mielografia para avaliar o grau da lesão. O animal não deve tomar banho ou ser exposto a temperaturas frias durante o tratamento ou quando tiver crises de dor. Em alguns casos o tratamento é cirúrgico.
2. Doenças do coração:
Muitos gatos idosos
podem apresentar alterações cardíacas. Alguns animais compensam essas disfunções
e vivem bem, sem sinais clínicos. Outros apresentam sinais claros de cardiopatia,
mas o dono não sabe reconhecer. Cansaço além do normal, tosse que pode ser confundida
com um engasgo após exercícios, ofegação e língua arroxeada após uma situação
de excitação, são sinais de um gato cardiopata. O animal deve ser examinado
pelo veterinário, que indicará um eletrocardiograma e/ou um ecocardiograma para
avaliar o animal.
Como tratar: é importante que o proprietário esteja atento para que o animal seja medicado no início da doença. Mesmo não apresentando sinais clínicos, o animal idoso deve ser examinado pelo veterinário anualmente. Constatada a cardiopatia, o animal será medicado e os sinais deverão desaparecer. Gatos cardiopatas não devem ter peso acima do normal (obesidade). Ver cardiologia
3. Insuficiência renal crônica
Quando o rim perde
a sua capacidade de selecionar o que é bom ou mal para o organismo e não consegue
mais reter a água, temos um quadro de insuficiência renal crônica. Os sinais
são emagrecimento, ingestão exagerada de água, urina em grandes quantidades,
perda de apetite, vômitos e anemia.
Como tratar: na verdade, a insuficiência renal crônica é um quadro que leva o animal à morte, pois o rim, que é o filtro do organismo, não funciona mais. Ele deixa passar substância importantes como vitaminas, e retém toxinas que deveria eliminar. Porém, diagnosticada a tempo, o animal pode ter uma sobrevida com uma mudança alimentar e complementos vitamínicos. A hemodiálise é feita em alguns países.
4. Piometra:
Gatas idosas, não castradas,
que apresentem sinais de perda de apetite, vômitos, aumento súbito do volume
do abdômen, corrimento vaginal intenso e apatia, devem ser encaminhadas ao veterinário
imediatamente. A piometra é uma infecção uterina comum em animais de meia idade
e idosos. O útero se enche de secreção purulenta, e o animal se intoxica pela
absorção desse pus pelo organismo.
Como tratar: O único tratamento eficaz na maioria dos casos é a cirurgia com retirada do útero e ovários e antibioticoterapia. Ver piometra
5. Tumores:
Nem todo o tumor é
um câncer. Todo nódulo que aparece em um gato, idoso ou não, deve ser avaliado
pelo veterinário. O diagnóstico precoce pode salvar ou prolongar a vida de um
animal com câncer.
Como tratar: pode se recorrer à remoção cirúrgica e/ou quimioterapia. A radioterapia em gatos é realizada em alguns países. Ver oncologia
7. Perda dos dentes:
É algo que o dono pode
e deve prevenir. O gato perde os dentes, normalmente, pelo acúmulo de tártaro.
Os animais devem ser avaliados anualmente desde jovens, e a prevenção e/ou remoção
do tártaro (quando necessário) devem ser feitos. Quando o dono percebe que a
boca do gato cheira mal ou os dentes estão muito amarelados, é hora de visitar
o veterinário. O ideal é prevenir. Muitas vezes, quando é feita a limpeza de
tártaro, diversos dentes já poderão estão perdidos. Alimentar o animal
com ração seca pode ajudar a prevenir o tártaro, além de outras medidas. Ver
odontologia
Quanto à alimentação, vale ressaltar que existem ração para gatos mais velhos (rações sênior). Dê preferência a elas para animais acima de 7 anos.

Silvia
C. Parisi
médica veterinária - (CRMV SP 5532)
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