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Curiosidades da Vida Animal - Fauna Brasileira

Nesta seção, um pouco da vida selvagem e seus aspectos mais curiosos. Nenhuma espécie mostrada aqui deve ou pode ser criada como um animal de estimação.


Gambá

1. FICHA DO BICHO:

Nomes vulgares: Gambá. Mucura ou gambá (Amazônia e Brasil Meridional); sarigué, sariguê, saruê ou sarigueia (Bahia); timbú ou cassaco (Pernanbuco ao Ceará); micurê (Paraguai e Mato Grosso); comadreja overa; e large american opossum ou opossum (EUA).
Nome científico: Didelphis albiventris (Lund, 1840).
Origem do Nome:O termo popularizado gambá, originou-se da língua tupi-guarani, onde "gã'bá" ou "guaambá", corresponde a um seio oco, ou seja, uma referência ao marsúpio (característica única dos marsupiais, onde uma abertura ventral em forma de bolsa, abriga em seu interior, mamas, onde os filhotes nutrem-se e protegem-se durante parte de seu desenvolvimento).
Ordem: Marsupialia (Marsupiais)
Família: Didelphidae (Didelfídeos)
Gênero: Didelphis spp.
Espécie
: Didelphis albiventris (Lund, 1840) é o gambá-de-orelha-branca. Além da espécie citada, existem no Brasil mais três espécies de didelfídeos que pouco se diferenciam entre si, são elas:
- D. aurita (Wied-Neuwied,1826) - gambá-de-orelha-preta;
- D. marsupialis (Linné,1758);
- D. paraguaiensis (Oken,?).
Nos EUA e no México, pode ser encontrada mais uma espécie, a D. virginiana ou gambá-americano. Favor não confundir com o cangambá (Mephitis mephitis), que embora pareça semelhante, não é um marsupial, pois corresponde a Ordem Carnívora (carnívoros) e família Mustelidae (Mustelídeos).


Gambá americano

2. COMO É O BICHO?

Daremos menção especial, para a espécie D. albiventris (gambá-de-orelha-branca), por esta restringir grande parte de sua biogeografia, no Estado de São Paulo, mais curiosamente nos grandes centros urbanos como a capital.

O gambá-de-orelha-branca, como o próprio nome já diz, apresenta como característica principal as orelhas com uma fina camada de pêlos brancos e com suas bases escuras. Sua pelagem é acinzentada. Existem pêlos maiores, pretos e brancos e abaixo deles, há uma lanugem mais curta e clara. Sua cauda grossa e afilada, é praticamente desprovida de pêlos, sendo estes somente encontrados em sua região anterior. Posteriormente a cauda é nua, rósea e escamosa na extremidade. Seu focinho é alongado, sua cabeça é grande e composta por três listras pretas (uma em cada olho e outra na região superior-mediana da cabeça). A coloração da pelagem varia durante a vida destes animais. Os mais velhos são mais brancos e os mais jovens, mais pretos.


Face característica

É um animal que mede de 45 a 50 centímetros de comprimento, não se levando, em consideração, sua cauda, que chega a medir 37 centímetros (35 -37). Seu pescoço é grosso e forte e seu corpo maciço. Uma característica importante é a presença da cauda prêensil, como nos primatas, ou seja, um quarto membro para auxiliar no deslocamento em árvores e apreensão de presas. São os maiores didelfídeos atuais.

Os gambás costumam reproduzir-se três vezes durante o ano, o que lhes dá uma grande capacidade para perpetuar sua espécie. Com esta facilidade reprodutiva, não poderiam nascer poucos animais, o número de crias por nascimento, varia de 10 a 20 filhotes. A fêmea os gera por um período de 12 a 14 dias. A mãe acaba tendo dificuldades de amamentar todos, devido ao número limitado de mamas, 12 ou 14, inviabilizando a vida de alguns de seus filhos.

Como todos os marsupiais (canguru, ouriço-cacheiro, cuíca etc), o gambá não poderia ser diferente, ao invés de nascerem filhotes, nascem embriões medindo, no máximo 1,0 centímetro de comprimento e sem a presença de características pubescentes (pêlos, manchas, formas etc). Estes então, dirigem-se para o marsúpio, através da pelagem da mãe, para encontrar as duas carreiras de mamas, em forma de ferradura. Ao encontrá-las, ocorre uma soldadura temporária da boca do embrião com a extremidade do mamilo. Às vezes, nascem de 5 a 6 gêmeos, o que deve dar uma boa confusão no interior da bolsa. Os filhotes permanecem no marsúpio até 4 meses, tornando-se até, muitas vezes, grandes demais, para permanecer em seu interior. Quando a bolsa não consegue mais contê-los, eles chegam a ser transportados pela mãe em seu dorso. Existe uma crença, de que quando os filhotes estão sendo transportados pela mãe, esta ergue sua cauda sobre o corpo, onde os filhote, se seguram com suas caudas. Em cativeiro, o período de vida é de 2 a 4 anos.


D. marsupialis com
filhotes nas costas

3. O QUE O BICHO FAZ?

Os gambás não vivem em grupos, mas sozinhos. Porém, na época do cortejo da fêmea, eles se aproximam de seus parceiros para formar casais.

Seus hábitos são noturnos, por isso, quando começa escurecer, o gambá sai de seu abrigo para caçar e coletar alimentos. Durante o dia, prefere dormir em locais de pouca luminosidade. Sendo um animal onívoro, se alimenta praticamente de tudo, como: raízes, frutas, vermes, insetos, moluscos, crustáceos (caranguejos encontrados em zonas de manguezais), anfíbios, serpentes, lagartos, e, principalmente, as aves (ovos, filhotes e adultos). Estas são suas principais vítimas, quando os gambés vivem próximos a zonas rurais. Eles entram nos galinheiros e/ou viveiros de outras aves domésticas com facilidade. Saqueiam, matando as aves jovens e adultas, e até sugam seus ovos, possuindo também, o prazer por seu sangue.


D. aurita à procura de presas

Embora possuam uma grande diversidade de presas, os gambás são animais de movimentos lentos e de pouca agilidade, mas quando a assunto é trepar em árvores, este não deixa a desejar. Sobem nelas com muita segurança, e isto se deve à sua cauda que, com a faixa mediano - terminal nua e por ser preênsil, enrola-se ao redor dos galhos permitindo uma maior estabilidade nas copas (Fig.4).

Constrói ninhos com folhas e galhos secos, em ocos de pau e buracos velhos de árvores.

Como já foi dito, os gambás podem ser encontrados também dentro dos centros urbanos, como por exemplo, no centro da cidade de São Paulo. Esta adaptação à zona urbana, levou este exímio marsupial a abrange, em seu cardápio, iguarias encontradas nos lixos de residências e restaurantes. Acostumou-se a viver dentro de forros de casas e instalações de edifícios. Podem ser facilmente vistos, perambulando pelas ruas e estradas durante a noite. São, com certeza, os marsupiais mais freqüentes das habitações humanas. São freqüentemente atropelados por veículos, por terem a visão ofuscada pelos faróis. Possuem poucos inimigos naturais, dentre eles o gato-do-mato (Leopardus spp.) e o homem.

4. ONDE O BICHO VIVE?

Os gambás podem ser encontrados em várias regiões da América, como no Canadá, nos EUA, México, Argentina, Paraguai, Bolívia, Venezuela, Uruguai, Guianas e especialmente no território brasileiro, onde poderemos encontrar as quatro espécies já citadas.
No Brasil a distribuição destas espécies é:

- D. aurita - Todo o Estado de São Paulo, principalmente nas regiões de Mata Atlântica deste, e de outros estados próximos. Com ocorrências no Norte do Rio Grande do Sul e Amazônia;
- D. albiventris - Brasil Central. Também é muito encontrado no Estado de São Paulo;
- D. marsupialis - Região Amazônica. Distribuindo-se também do Canadá ao Norte da Argentina, Paraguai e Guianas;
- D. paraguaiensis - Rio Grande do Sul e Mato Grosso. Podendo também ser encontrado no Paraguai.

Nossa espécie em questão, a D. albiventris, possui preferência a vários tipos de ecossistemas, como o cerrado, caatinga, pantanal e banhados. Destes ambientes, ela pode ser encontrada em capoeiras, matas primárias e secundárias, capões, áreas de lavoura (que existam árvores) e, curiosamente, nas áreas de grande presença humana, onde encontram muitos esconderijos e alimentação farta e variada.

5. CURIOSIDADES DO BICHO:

O gambá é o ator principal de muitos fatos e ditos populares de nossa cultura. Principalmente nas regiões rurais dos estados brasileiros, onde cada história é passada de pai para filho, sedimentando-se conceitos curiosos que são vistos apenas por nosso caboclo. Isso deixa muitos cientistas frustrados, pois eles não conseguem observar, em pesquisa, aquilo que o homem do campo diz presenciar.

Os gambás devem sentir orgulho de um de seus membros, a espécie D. marsupialis marsupialis, por ela ter sido a primeira a ser conhecida. Segundo os anais da História da América, a espécie ficou sendo, através de Vicente Yáñez Pinzón, em1500, o primeiro animal do Novo Mundo, conhecido na Europa. Em um primeiro momento, o animal chegou a ser chamado, impropriamente, de "animal monstruoso", causando estranhezas e muita curiosidade, pelo fato de possuir sua mais marcante característica física, a bolsa ventral (marsúpio). A confusão só foi gerada porque na época já não existiam mais marsupiais na Europa, que foram extintos, ainda no período terciário, a milhões de anos atrás.

Hoje em dia, muitas pessoas denominam de forma errônea o gambá, como "raposa" ou "raposinha". Não existem raposas brasileiras. Elas somente são encontradas nos domínios da América do Norte (tundra ártica às planícies centrais), Europa, norte da África, Arábia e Oriente Médio e a Ásia, com exceção da Índia, Tibet e Indochina. Talvez essa "semelhança" muito distante esteja relacionada pelo formato da cabeça, e devido às pernas serem curtas em relação ao corpo. O restante não segue com fidelidade as características das duas espécies referidas.

O que pode marcar nessa espécie não são apenas as características físicas, mas um fato importante relacionado ao comportamento e fisiologia. Sendo mais exato nas palavras, seu famoso odor. O líquido fétido produzido pelas glândulas axilares é utilizado pelo animal como defesa, em caso de perigo iminente. Deixando seu agressor em estado complicado, o gambá consegue sair da situação rapidamente. Na fase do cio, a fêmea costuma exalar este odor para atrair, de forma mais poderosa, a atenção de eventuais pretendentes. Outra estratégia para escapar dos perigos é o comportamento de fingir-se de morto até que o atacante desista. Muitas vezes, quando finge estar morto, resiste imóvel até sob cacetadas. Mas basta que o iatacante se distraia para o gambá correr em direção à mata. Surgiu nos EUA, uma expressão que homenageia essa estratégia, a "playing opossum", ou "fingir-se de gambá morto".

Os filhotes também, não deixam a desejar, pois em caso de perigo, se dirigem, mesmo crescidos, para a bolsa protetora da mãe. Alguns até colocam a cabeça para fora tentando espiar o que está acontecendo. Como última saída, o gambá emite um rosnado, que juntamente com os artifícios acima citados, promove sua maior segurança.

Possuem dois membros bem desenvolvidos, a cauda e os dedões das mãos. Estes os auxiliam para a captura de presas e alimentos. Agarra caranguejos com a cauda, e com os dedãos das mãos, que são bem separados dos outros dedos, manipula alimentos. Não possui unhas nestes, já nosso polegar sim.

Alguns animais são imunes ao veneno de serpentes. É o caso do gambá. Com essa proteção fisiológica, ele consegue enriquecer seu cardápio com cobras, como as jararacas (Bothrops sp.), cascavéis (Crotalus spp.) e corais (Micrurus spp.). Mordem a região da cabeça ou da garganta desses animais e começam a ingeri-los pela mesma. Segundo SOERENSEN, B. & et ali - UNIMAR, houve apenas morte aguda, em um experimento com gambás, com uma dosagem de 660 mg de veneno, o que corresponde a uma dose 4.000 vezes superior à suportada por bovinos de 400 kg.

Pelo fato destes animais serem de hábitos noturnos, é muito difícil encontrá-los em jardins zoológicos, pela inatividade durante o dia.

Além de se alimentar de aves e seus ovos, o gambá tem especial predileção por sangue. Por isso, é conhecido como sanguinário. Abre o pescoço, abaixo da cabeça, e rompendo a jugular de suas vítimas, se sacia com o sangue que jorra. Sacrifica quantas aves puder apanhar, mesmo não bebendo o sangue de todas. A seguir, entra num estado de torpor profundo, sendo encontrado pela manhã, ainda inebriado ou em êxtase, como de ressaca. Deste fato surgiu a crença que basta por uma caneca com pinga no galinheiro, que na manhã seguinte o gambá estará totalmente embriagado. Do fato surgiu o dito: "bêbado como um gambá". Porém, esta preferência por álcool nunca foi observada e comprovada pela Ciência.

Provavelmente por estas histórias, algumas lendárias e outras com fundamento científico, o gambá é visto em muitas regiões com certa antipatia. Mesmo sendo marsupiais inofensivos e muito úteis ao homem por apresentarem um grande "menu", o que reflete no controle do ecossistema, isso não impede que estes mamíferos sejam mortos corriqueiramente, devido a seus "atos". Os seringueiros da região Norte e Noroeste do Brasil costumam chamar de "bichos imundos" ou "monstros", todos aqueles animais que são dispensados do prato, por possuírem carne gordurosa ou de mau odor. O gambá é um destes animais, que caso seja abatido e eviscerado inadequadamente, adquire o odor característico de suas glândulas. Os seringueiros criaram uma hipótese para tentar explicar a reprodução destes marsupiais, e dizem que quando chega a época de reprodução, o macho coloca o "líquido" (líquido seminal) na "bolsa" (marsúpio) da fêmea e depois de algum tempo esse "líquido" se transformará em um "pedaço de carne" (embrião) que originará os filhotes, já presos às mamas da fêmea...

Histórias e ditos populares merecem nosso respeito por alimentarem crenças folclóricas e, por muitas vezes, terem fundamentos científicos importantes, comprovados mais tarde por pesquisadores.

Clique aqui para conhecer outras espécies


Luccas Longo
Biólogo e Professor
www.observaes.blogspot.com/
Especialista em Bioecologia e Conservação - UNIMEP
Mestrado em Recursos Florestais - ESALQ/U

Webanimal
www.webanimal.com.br

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