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Corte de orelhas e cauda

Orelhas e cauda
Por que cortar?

O corte da cauda e orelhas dos cães já era praticado antes mesmo das raças serem organizadas em clubes e possuírem um padrão oficial. As justificativas para se realizar essas amputações eram: minimizar lesões e machucados em animais utilizados na caça (bracos, terriers, weimaraner etc.), pois ferimentos nesse local podem causar sangramento intenso, e para conferir aspecto compacto a algumas raças de trabalho (rottweilers, dobermans e boxers). Sem orelhas e caudas, ficaria dificil dominar um cão quando ele atacasse. E era esse o intuito das amputações nos cães de guarda.

Nos dias atuais, o corte de cauda e orelhas tem motivo apenas estético e não está ligado à funcionalidade do cão. Muitos países já aboliram a prática de cirurgias com intuito meramente estético. Em 19 de março de 2008, o Conselho Federal de Medicina Veterinária (Brasil), proibiu os veterinários de realizarem o corte de orelha ou cordas vocais de cães para evitar que latam, assim como a amputação das garras dos gatos para que eles não "destruam os móveis".

A resolução diz: "Ficam proibidas as cirurgias consideradas desnecessárias ou que possam impedir a capacidade de expressão do comportamento natural da espécie, sendo permitidas apenas as cirurgias que atendam as indicações clínicas". Em 18 julho 2013, finalmente, o Conselho Federal de Medicina Veterinária do Brasil decidiu proibir também o corte da cauda dos cães para fins estéticos.



As orelhas dos cães são uma proteção contra a entrada de água e outros corpos estranhos nos ouvidos. Cães com orelhas amputadas tornavam-se muito mais propensos a otites pela entrada de água nos ouvidos, até mesmo quando andavam na chuva. Orelhas cortadas conferiam aos cães de guarda, como o doberman, uma aparência muito mais assustadora. Mas não é esse aspacto estético que o fará ser um melhor cão de guarda.

A cauda é a extensão da coluna vertebral e é formada por várias vértebras pequenas. Apresenta inúmeras terminações nervosas, por isso é uma parte bastante sensível do corpo do animal.
Bem antes do Brasil, a caudotomia (corte de cauda) já era proibida na Europa. Considerada uma cirurgia cruel para os animais, existem países que chegam a proibir a entrada de cães com cauda amputada em seu território. A caudotomia era feita por volta de 3 dias de idade no filhote. Embora o padrão de muitas raças recomende o corte, ela não é obrigatória, podendo um cão com cauda íntegra ter pedigree e participar de exposições.

Afinal, para que serve a cauda do cão? Ela é um importante meio de comunicação entre os animais, além de ajudar no equilíbrio. Através da posição da cauda, os cães demonstram suas intenções. Cauda abaixada pode significar submissão ou medo. Cauda alta abanando de um lado para outro significa alegria, mas pode ter o sentido de agressividade ou dominância se o movimento for apenas leve. Através da cauda, o cachorro consegue expressar-se.



Alguns proprietários, antes mesmo da proibição da amputação da cauda, já optavam por não fazer a caudotomia em seus animais, reservando um filhote antecipadamente com o criador, e solicitando que o rabo não fosse cortado. Algumas pessoas que compraram um cão com o rabo curto (cortado) até acharam que ele já tivesse nascido assim, mas são raros os casos de animais que nascem com a cauda bem curta ou ausência dela. Todos os filhotes, a partir de 2013, devem ser vendidos com seus respectivos rabinhos. Filhote com cauda amputada está fora da lei. Denuncie o criador.

Muitos cães parecem ficar mais bonitos com a cauda inteira, embora a beleza seja algo muito subjetivo para ser analisado. Trata-se de uma questão de mero costume, pois fomos habituados a ver muitas raças com o rabo curto. Os mesmos animais, de cauda longa, podem nos causar estranheza, inicialmente.

Existem casos onde há necessidade de amputação, quando o animal morde insistentemente a ponta do rabo, fere com frequência a extremidade ao bater em objetos, causando sangramento importante, tumores etc. Devemos considerar o bem-estar do animal antes da estética, e o direito que os cães têm de poderem expressar-se e comunicar-se naturalmente conosco e com a sua própria espécie.

Livro recomendado:

Como cuidar melhor do seu cachorro!

silvia
Silvia Parisi
médica veterinária (CRMV SP 5532)

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